Eu corria desesperadamente pela calçada, esbarrando em quem aparecia na minha frente, procurava o único rosto que me interessava. Finalmente o encontrei e caminhei em sua direção. Ele sabia o que eu queria, porque já tinha revelado, em partes, a ele. Fiquei surpresa quando ele me abraçou forte e demoradamente, depois segurou minha mão, e atravessou a avenida, me arrastando ao seu lado.
Ele parou no primeiro banco que viu, sentou e eu fiquei de pé, na sua frente...Estava trêmula, pois era minha última chance, nossa última chance. Não tive coragem de dizer o que deveria em voz alta, mesmo após ter ensaiado para esse momento inúmeras vezes, quando estava só, em frente ao meu espelho. Fiz a coisa mais idiota que podia ter feito: escrevi no celular, como rascunho de mensagem, e entreguei a ele.
Hesitei tempo suficiente para que ele terminasse de ler, ergui meus olhos para encará-lo, e vi que ele também me fitava. Riu timidamente, mas não demorou em me dar uma resposta, a melhor delas: um beijo. Afastei-me ao percceber que as lágrimas escorriam freneticamente. Ele abriu aquele sorriso espaçoso, de quem está prestes a fazer uma piadinha, que eu adoro, e balbuciamos no exato segunda a mesma coisa "besta!" Rimos descontraídamente, ele pediu que me sentasse ao seu lado, e foi o que fiz. Entrelaçamos nossas mãos e ficamos ali, apenas admirando a noite, da qual eu jamais esqueceria.
Assustei-me quando um vulto entrou rapidamente no meu quarto, deixando a janela entreaberta, fazendo com que um raio de sol fuzilasse meu rosto e me acordasse. Logo reconheci a sombra, era o meu irmão, xinguei-o produndamente e falei, muito mal humorada, que não fizesse mais isso, ele assentiu e saiu do cômodo.
Permaneci deitada, a raiva já havia se dissipado, quando notei que ainda sentia o toque aveludado da mão dele entre os meus dedos. Apertei minha mão contra o peito, desejando loucamente que aquele sonho tivesse sido real, mas não foi e talvez nunca seja...

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